Dias chuvosos

junho 01, 2015



Havia um paralelo de realidade entre eu e você, e eu não conseguia entender como amar podia machucar tanto, e como você podia lidar tão bem com a dor. Eu não podia, não sabia e tampouco tentaria lidar, no máximo, em alguns momentos esquecia, e deixava escapar um sorriso ou outro numa conversa qualquer. Tinha o riso fácil, e o choro, mais ainda.
Em um instante lá estava a dor de novo, lá estavam meus olhos chorosos tentando adiar as inevitáveis lágrimas que se instalavam a todo momento ali, escorrendo na primeira oportunidade.
Chorava por não esquecer, por as incertezas me atormentarem, era do tipo que queria saber tudo e entender o máximo que podia. Queria explicações, respostas para minhas infinitas perguntas, para algumas que eu já sabia as respostas. Gostava de ter mais versões, nos disponibilizavam mais perguntas, e mais perguntas exigiam mais respostas. Era quase um jogo sem fim. Quase. Você ignorava metade delas, se não todas. Ignorava minha dor ao não ter essas respostas. Ignorava eu implorar por suas palavras. Era um vácuo, gigante, entre o amor e a felicidade. Eu era o amor, eu era a dor e a luta, lutava por repostas, lutava pra entender o teu amor.  Você era a felicidade, era a ilusão de que tudo estava bem quando fingimos que está. Fingia de mais, fingia sozinho. Eu não entendia como alguém que ama podia só observar. Não entendia como podia ignorar tanta dor em prol de uma felicidade única. Era pra ser um par, era pra ser recíproco.
Se o problema era eu ou você, eu não sei, mas naquela manhã de nuvens cinzas e de guardas chuvas abertos, seguimos juntos, andando lado a lado, rumo a uma realidade única, a despedida.

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"O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever."