Enquanto você dormia


Buscava algo pra vestir em meio aquela desordem no guarda-roupa que você sempre reclamava dizendo que eu era bagunceira demais  e eu descordava brincando ao dizer que estava tudo lindo. Não mentia, te ter ali me esperando para dormir fazia tudo ficar bem, até aquele armário cheio de roupas jogadas. Não queria perder o tempo que tinha ao seu lado arrumando nada, juntos sempre fomos a organização perfeita, o restante podia esperar.
Deitava e o sono já havia pego você, sentia inveja por ele te ter assim tão fácil todos os dias. Te observava e ficava imaginando o que se passava nos seus sonhos e, se por ventura, eu fazia parte daquele momento. Minha mente divagava pensando em nós, em nossos erros e acertos e em um futuro só nosso. Queria acordar e dormir ao seu lado todos os dias e rezava para que isso se concretizasse em breve, mas que, sobretudo, durasse.
Pensar no futuro era um tanto quanto incerto. Tinha os meus sonhos e você os seus, embora eles se encaixassem de um jeito único e se tornassem tão nossos. Torcia por você tanto quanto torcia por mim, e você dizia o contrário. Não dava pra competir, a gente sempre empatava, mesmo quando você dizia que eu sempre tinha a razão.
Embora digam por ai que sempre haverá um que ame mais que o outro, eu sabia que entre nós havia um equilíbrio. A gente se completava, nas brigas, nas conversas, nas decisões e no amor. Mesmo quando tudo parecia dar errado e você, sem nada fazer, me fazia dar trégua. A gente sempre acabava juntos. Como naquela noite.
Virei para o lado me aconchegando em você e, como num instinto, me puxou para perto em um abraço.
Eu te amo, ouvi você dizer baixinho e, finalmente, dormi.

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