Tudo e nada

outubro 26, 2016


Às vezes sou um vento forte, às vezes uma leve brisa. Uma ventania capaz de tirar tudo do lugar ou um sopro doce que lhe faz sentir arrepios. Às vezes sou o Sol que brilha forte, em outras a Lua na escuridão. Não deixo de brilhar, porém às vezes me escondo. Às vezes sou o preto básico, às vezes o laranja florescente. Combino com tudo ou afasto todos. Eu posso ser a caneta ou o lápis. De qualquer escolha deixo marcas, uma mais forte, a outra nem tanto. Sou uma ferida que não cicatriza, mas não dói. Sou uma tempestade nos dias de sol. Inundo tudo e, logo depois, me transformo em um arco-íris. Às vezes sou o som leve de um violão, às vezes a batida pesada de uma bateria. Sou uma música de fases, que muda o ritmo sem aviso. Sou o filme de comédia ou o livro de drama. As imagens que me fazem rir e as páginas escritas que me fazem chorar. Sou a voz tímida ou os gritos impulsivos. O breve barulho ou o profundo silêncio. Sou o olhar retraído ou aquele que encara. Tem medo. Tem vergonha. Tem coragem. Tem vontade. Às vezes sou um abraço acolhedor ou o aperto de mão mais frio. Sou o ombro pra chorar, as palavras certas para aconselhar. Sou o sorriso com o olhar triste ou o olhar feliz tentando se esconder. Sou algum motivo sem motivos. Às vezes a escuridão com todas as luzes acesas. Olhos fechados. O sono pesado ou a insônia. Pensando. Sonhando. Eu posso ser tudo. Diversos sentimentos ao mesmo tempo. Eu posso ser nada. Um vazio capaz de deixar qualquer um desesperado. Sou uma grande contradição.

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"O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever."