Você é seu próprio lar


já morei ali. digo, moro. neste momento que escrevo. mas não mais enquanto lê. lembro do primeiro dia e da vontade de chegar esse aqui. de não morar. mas hoje, mais que antes. 

das coisas que poderiam ter sido, mas não foram. entre vidas e mortes, precipitadas, resisti. o meu cortiço não era o mesmo de Aluísio, mas poderia ser. e não fui influenciada pelo meio, mas poderia ser. 

há duas semanas me preparei para o agora, este que já não moro mais e, diferente da ida, pra morar, no desespero da despedida e da chegada, não despeço, mas chego. em outro lugar. e me liberto. da culpa por querer ser mais. da insegurança de pertencer, mas não se encaixar. do medo de ver e escutar, de mais. da culpa pela aparência dita contrária a realidade, julgada. por nunca conseguir dizer: eu moro na favela. por me deparar com ouvidos que não queriam ouvir. então escrevo. 

porque esta sou e, para onde quer que eu vá, serei. lá, ali ou aqui. resisto.

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